A Cames Brasil já atuou em dezenas de processos, por meio de ferramentas como mediação e arbitragem, e agora inicia expansão com franqueados. Novidade foi antecipada a PEGN

Os tribunais de justiça brasileiros terminaram 2019 com 77,1 milhões de processos que aguardavam por uma solução, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Calcula-se que mais 30 milhões tenham sido julgados ao longo do ano. Para diminuir esse caminho, algumas empresas recorrem a outros meios de negociação, como mediação ou arbitragem, para tentar desviar dessa enorme fila e chegar a um acordo menos traumático e menos oneroso.

Foi diante desse cenário que, em 2016, nasceu a startup Câmara de Mediação e Arbitragem Especializada (Cames Brasil), uma plataforma para resolução de conflitos à distância, sem a necessidade de intervenção judicial. O sócio-fundador, Danilo Miranda, explica que a ideia de desenvolver a plataforma foi democratizar o acesso a essas ferramentas. Hoje, a Cames tem nove unidades próprias em funcionamento e acaba de anunciar a expansão por franquias. A novidade foi antecipada com exclusividade a Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

A Cames é especializada principalmente na mediação e arbitragem, mas em 2020 também passou a oferecer serviços como arbitragem trabalhista e o Comitê de Resolução de Disputas (DRB, sigla do nome em inglês), aplicado principalmente a contratos complexos, que envolvem execuções mais longas, como construção civil e infraestrutura.

De acordo com Miranda, desde a criação da startup, foram resolvidos mais de 50 casos com níveis de alta e média complexidade. “Casos complexos podem ser uma infinidade de possibilidades, como conflitos envolvendo grandes companhias durante um processo de fusão ou alguma disputa societária.” Ele ainda diz que a empresa também já solucionou algumas centenas de casos de baixa complexidade, como causas trabalhistas.

O empreendedor afirma que os serviços da Cames chegam a ser até 50% mais baratos do que as câmaras tradicionais, pois não têm os custos da estrutura física. “A maior parte das câmaras existentes são vinculadas a sindicatos, federações ou câmaras de comércio e não têm finalidade lucrativa, além de terem estruturas pesadas.”

Aos poucos, a arbitragem vem ganhando o mercado brasileiro de resolução de conflitos. De acordo com a Câmara Internacional de Comércio (ICC), que abrange cerca de 45 milhões de empresas em mais de 100 países, o país se tornou o terceiro player mundial em arbitragem de 2017 para cá. O objetivo da Cames com o franchising é justamente surfar na onda desse crescimento: a expectativa da rede é abrir dez unidades em 2021 e atingir 50 franquias em cinco anos.

O modelo da empresa pode ser operado de casa, sem necessidade de escritório. O franqueado é remunerado pela taxa de administração cobrada pelos serviços. O sistema da Cames dá acesso a cerca de 400 profissionais cadastrados que atuam na resolução de conflitos, especializados em cada uma das modalidades.

Miranda diz que o recomendado é que cada franquia tenha cerca de três sócios, e pelo menos um deles com formação jurídica – embora não seja critério obrigatório –, pois “facilita a curva de aprendizagem”. “A maior parte dos advogados não tem visto apenas o judiciário como o único caminho viável. A Cames pode ser uma alternativa de investimento para esse profissional, com outros caminhos para se desenvolver”, afirma.

Para a expansão, a Cames busca por cidades acima de 500 mil habitantes. Para cidades com menos de 1 milhão de habitantes, o investimento inicial total é de cerca de R$ 100 mil, sendo R$ 40 mil de taxa de franquia e o restante de capital de giro inicial e demais despesas de instalação. Já para regiões com mais de 1 milhão de habitantes, o aporte necessário é de cerca de R$ 150 mil, sendo R$ 60 mil de taxa de franquia.

No primeiro ano, o franqueado paga royalties mensais de 10% do faturamento e, a partir do segundo ano, uma taxa mínima de R$ 1,5 mil. O retorno de investimento varia de acordo com a localidade, mas é estimado entre 12 e 24 meses.